Pássaros caídos

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Quero estar alerta!
Todas as manhãs sempre o mesmo som, os pássaros no telhado parecem estar chateados e revoltados! Eles sabem que a primavera já não é o que era… Talvez estejam a mostrar o seu desagrado…
Ao sair de casa no outro dia, vi um pássaro caído, morto, junto ao portão. Depois outro no chão da churrasqueira. O parvo do cão foi busca-lo e deixou-o no tapete.
Há pássaros que voam silenciosos, passam perto de nós. E nós, extremamente ocupados nem os conseguimos enxergar! São novatos. Mas têm penas degradadas que afugentam os outros pássaros. Voam sozinhos. Não percebem qual a sua espécie. A primavera gélida enclausurada conduze-os ao desespero. São pássaros deprimidos. A liberdade afinal para que serviu? Escolhem o voo mais fácil. O último voo, fazem-no às escondidas. Porventura querem lembrar-nos desta brincadeira antiga?
Há pássaros caídos, por aí. Estaremos atentos? O que temos a ver com isso? Talvez o assunto não nos interesse, até chegar o dia em que assistimos ao último voo de algum pássaro ou quando algum enfim cair na nossa casa.
Não, não posso ficar indiferente a adolescentes em depressão, caídos, sem brilho nas asas, sem projeto de vida, solitários, julgando que os outros pássaros não reconhecem o seu valor, escolhem o caminho mais rápido e fácil. Onde está o calor afetivo, o colorido da das flores? Já não há primavera? Terminou o seu chilrear!!!!!
Imito a sua impulsividade. Escrevo porque quero.
Insisto, quero escutar cada voo silencioso.
Agora percebo a revolta dos pássaros no meu telhado.
Pássaros mortos? Chega!!! Não quero!!!

Desenho: Joana Ramos

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