Andrea Ramos
O Maníaco da Brincadeira
Ele é um menino audaz que quer brincar com o pai e reclama por atenção. Nesta história uma educadora atenta ajuda os seus alunos a entender os pais e desenvolve uma estratégia a fim de melhoria do relacionamento familiar, através das brincadeiras.
«Cada brincadeira, nova viagem. Como é filho único, não quer entrar na escola sem convencer o pai de que para brincar não existe idade.»
São sobejamente conhecidos os benefícios da brincadeira.
A importância da brincadeira
Brincadeiras do mundo
Bola de meia – Brasil
Materiais: meias velhas + retalhos de tecido ou jornal amassado.
Como brincar: criar “bolas” macias para jogar dentro de casa sem perigo.
Barquinhos no Rio – Portugal (litoral)
Versão básica: fazer barcos de papel e colocá-los numa bacia ou balde com água.
Versão avançada: criar corrida com obstáculos (pedras, galhos) ou motores improvisados.
Construção de Castelo – Portugal (medieval)
Versão básica: usar caixas de papelão para construir um castelo no chão.
Versão avançada: criar castelo com vários andares, portas que abrem, bandeiras e áreas de defesa — depois simular “batalhas” de imaginação.
Jogo de argolas recicladas – Caribe
Materiais: garrafa PET + argolas feitas de jornal enrolado e fita adesiva.
Como brincar: marcar distâncias e tentar acertar as argolas no gargalo da garrafa.
Desafio de catapulta – inspirado na Escócia medieval
Materiais: palitos de sorvete, elásticos, tampinha de garrafa, colher de plástico.
Como brincar: montar mini catapultas e competir para ver quem lança a tampinha mais longe ou mais certeira no alvo.
Corrida de tampinhas – Vietname
Materiais: tampas de garrafa PET + canudo de papel.
Como brincar: assoprar as tampas para atravessar uma “pista” feita com fita no chão.
Jogo de estratégia “Manqala” adaptado – África
Materiais: caixa de ovo + pedras, feijão ou tampas.
Como brincar: cada cavidade é um “campo” e os jogadores movem as peças conforme as regras do jogo Mancala.
Circuito ninja – EUA (inspirado em parkour)
Materiais: cadeiras, cordas, fita adesiva.
Como brincar: montar um percurso com obstáculos (passar por baixo, pular, equilibrar) e marcar tempo.
O prazer perdido de ser criança
Há muito tempo o mundo cabia dentro de uma tarde ensolarada.
O chão de terra transformado num campo de futebol, um pauzinho era espada, um castelo erguido num lençol.
Eu era criança e acreditava no impossível.
O vento rugia zangado, as nuvens eram gigantes a pular, mas não se media o tempo de brincar.
E o tempo passou.
O relógio calcula prazos, tem compromissos e anda à pressa.
Agora o silêncio é calculado e há que rir com cuidado.
A curiosidade, antes iá à caça, o certo é que fizemos caminhos sem mapa.
Crescer não é perder a alegria, é procurá-la. Porque sonho de olhos abertos.
A criança que fui não desaparece, ela espera que eu a chame de volta para brincar.
O que diz a autora sobre o livro
Há uns anos escrevi – o prazer perdido de brincar, hoje poderia escrever o prazer perdido de ser criança. Não se trata apenas de subir às árvores ou brincar na lama: não há tempo para brincar. São as rotinas, as obrigações, o crescer à pressa, a vida sedentária, o telemóvel e o conforto que impedem a brincadeira infantil. Brincar é um direito, uma descoberta. Criem-se laboratórios da brincadeira em família.
Faça-se com as caixas de ovos o jogo mancala, um pau de chuva com rolos de cozinha, um espaço para a brincadeira dentro de casa, vamos ao parque, ao jardim. Lembro a minha filha pequena a correr atrás das pombas no jardim da Graça, o meu filho a brincar com gelatina para desenvolver a motricidade fina e nós os três deitados na varanda cheia de cobertores à espera das estrelas cadentes. Hoje as crianças vivem encaixotadas: a grande carga horária na escola, os ATL, os TPC, restam os fins de semana das múltiplas tarefas. As brincadeiras de grupo, os jogos tradicionais que promovem a socialização e os jogos de caixa que desenvolvem o raciocínio continuam disponíveis.
Qualquer coisa basta para uma criança brincar: em África ainda se usa o pneu para fazer rodar com um pau, qualquer tacho, uma lousa, um pano que faz de capa. Não é precisa linguagem para brincar porque ela é a própria linguagem do crescer – senão veja-se crianças de várias línguas diferentes da mesma idade numa sala, precisariam de palavras?
Quando eu era pequena vivia numa aldeia, queria ter crianças para brincar e uma boneca, mas não tive. Brinquei com a cadela do meu avô, debaixo de uma cabana de palha, joguei à macaca, às escondidas, saltei à corda e ao elástico; não tive livros infantis para ler, fiz dos cadernos os amigos que me escutavam. No livro “É o seu filho, não é um hamster”, Kevin Leman questiona se os jovens que digitam tão depressa possuem competências relacionais que lhes tragam satisfação na vida.
Alegra-me que se esteja a abandonar os telemóveis nos recreios. O professor Carlos Neto, em “Libertem as crianças”, refere que estas se estão a tornar analfabetos a nível motor, que a criança saudável tem joelhos esfolados e que os pais têm muito medo e superproteção; somos pobres porque não aprendemos a brincar. A obesidade é considerada a doença nutricional mais prevalente a nível mundial e a epidemia do século XXI; é imprescindível o contacto com a natureza, dar lugar à imaginação e à criatividade. Pais – nunca comparem os filhos, envolvam-nos em ações de solidariedade, façam biscoitos ou pizas juntos, construam castelos e façam navegar barquinhos no rio. Quando realizo a atividade “árvore dos sonhos” em escolas, uma criança escreveu: “o meu sonho é que os meus pais brinquem comigo”; no fundo, a criança que fomos nunca desaparece — ela apenas espera que a chamemos de volta para brincar.
Andrea Ramos
O que diz a autora sobre o livro
Há uns anos escrevi – o prazer perdido de brincar, hoje poderia escrever o prazer perdido de ser criança. Não se trata apenas de subir às árvores ou brincar na lama: não há tempo para brincar. São as rotinas, as obrigações, o crescer à pressa, a vida sedentária, o telemóvel e o conforto que impedem a brincadeira infantil. Brincar é um direito, uma descoberta. Criem-se laboratórios da brincadeira em família.
Faça-se com as caixas de ovos o jogo mancala, um pau de chuva com rolos de cozinha, um espaço para a brincadeira dentro de casa, vamos ao parque, ao jardim. Lembro a minha filha pequena a correr atrás das pombas no jardim da Graça, o meu filho a brincar com gelatina para desenvolver a motricidade fina e nós os três deitados na varanda cheia de cobertores à espera das estrelas cadentes. Hoje as crianças vivem encaixotadas: a grande carga horária na escola, os ATL, os TPC, restam os fins de semana das múltiplas tarefas. As brincadeiras de grupo, os jogos tradicionais que promovem a socialização e os jogos de caixa que desenvolvem o raciocínio continuam disponíveis.
Qualquer coisa basta para uma criança brincar: em África ainda se usa o pneu para fazer rodar com um pau, qualquer tacho, uma lousa, um pano que faz de capa. Não é precisa linguagem para brincar porque ela é a própria linguagem do crescer – senão veja-se crianças de várias línguas diferentes da mesma idade numa sala, precisariam de palavras?
Quando eu era pequena vivia numa aldeia, queria ter crianças para brincar e uma boneca, mas não tive. Brinquei com a cadela do meu avô, debaixo de uma cabana de palha, joguei à macaca, às escondidas, saltei à corda e ao elástico; não tive livros infantis para ler, fiz dos cadernos os amigos que me escutavam. No livro “É o seu filho, não é um hamster”, Kevin Leman questiona se os jovens que digitam tão depressa possuem competências relacionais que lhes tragam satisfação na vida.
Alegra-me que se esteja a abandonar os telemóveis nos recreios. O professor Carlos Neto, em “Libertem as crianças”, refere que estas se estão a tornar analfabetos a nível motor, que a criança saudável tem joelhos esfolados e que os pais têm muito medo e superproteção; somos pobres porque não aprendemos a brincar. A obesidade é considerada a doença nutricional mais prevalente a nível mundial e a epidemia do século XXI; é imprescindível o contacto com a natureza, dar lugar à imaginação e à criatividade. Pais – nunca comparem os filhos, envolvam-nos em ações de solidariedade, façam biscoitos ou pizas juntos, construam castelos e façam navegar barquinhos no rio. Quando realizo a atividade “árvore dos sonhos” em escolas, uma criança escreveu: “o meu sonho é que os meus pais brinquem comigo”; no fundo, a criança que fomos nunca desaparece — ela apenas espera que a chamemos de volta para brincar.
O Valor da Brincadeira e o Prazer de Ser Criança
Ele é um menino audaz que quer brincar com o pai e reclama por atenção. Nesta história uma educadora atenta ajuda os seus alunos a entender os pais e desenvolve uma estratégia a fim de melhoria do relacionamento familiar, através das brincadeiras. «Cada brincadeira, nova viagem. Como é filho único, não quer entrar na escola sem convencer o pai de que para brincar não existe idade.» São sobejamente conhecidos os benefícios da brincadeira. Há uns anos escrevi – o prazer perdido de brincar, hoje poderia escrever o prazer perdido de ser criança. Não se trata apenas de subir às árvores ou brincar na lama. Não há tempo para brincar. São as rotinas, as obrigações e o crescer à pressa. A vida sedentária, o telemóvel e o conforto impedem a brincadeira infantil. Brincar é um direito, uma descoberta. Criem-se laboratórios da brincadeira em família.
Brincar é Fundamental para Crescer
Alegra-me que se esteja a abandonar os telemóveis nos recreios. Voltará o tempo de brincar e aprenderão o que fazer do tempo – sem écrans. O professor Carlos Neto no seu livro Libertem as crianças, refere que estas se estão a tornar analfabetos a nível motor, que a criança saudável tem joelhos esfolados e que os pais têm muito medo e superproteção. Nas suas palavras somos pobres porque não aprendemos a brincar. Eu própria não desenvolvi o sentido de orientação espacial porque vivi anos enclausurada numa aldeia. A obesidade é considerada a doença nutricional mais prevalente a nível mundial e considerada a epidemia do século XXI. É imprescindível o contacto com a natureza, dar lugar à imaginação e à criatividade.
Ramos, Andrea. O Maníaco da Brincadeira
Agradecimentos e Inspiração
O Maníaco da Brincadeira, A inspiração agradeço-a a Deus. Agradeço à Rota do Livro pois desde a 1ª hora que acreditou no meu trabalho.
À thot edições porque validou a minha história.
À Imna que deu cor à vida do Manel.
À Câmara Municipal de Torres Vedras pela cedência da sala.
À família e amigos e aos presentes.
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O que dizem os autores conhecidos sobre brincar
Comentário do Ilustrador
«Achei a história maravilhosa e a tua escrita é cativante, o livro tem tensão e prende o leitor a querer saber o que acontecerá a Simão e o que ele tem escondido.»


















