Como ajudar o meu filho a preparar-se para o futuro?

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Анна Рыжкова

Não raras vezes, encontramos jovens à saída do ensino secundário com o dilema da área a prosseguir na universidade. Quadros de ansiedade são frequentes, estados depressivos e crises de pânico, deles ouvimos falar.

A incerteza do futuro marca as novas gerações e algo há a fazer desde cedo!
A exigência do mercado, as crises financeiras, a recente guerra são ingredientes que geram preocupação e fazem o pensamento dos pais voar para muitos lados. Isto porque há que trazer comida para casa, pagar contas, saldar imprevistos, enfim. O foco é retirado das crianças porque ainda lhes falta muito tempo. No entanto, à medida que os anos passam e as novas gerações advêm, não deveria incidir nelas o investimento? Quando as crianças crescem, alguns pais tendem a dizer que serão sempre as suas crianças, de forma carinhosa e saudosa. Essa criança passa pela adolescência e situações inerentes e logo chega à juventude e dizemos: «Cresceu tão depressa!»; «O tempo passou rápido!».

«A beleza dos jovens está na sua força» Pr. 20:29
Na juventude, as comparações geram frustrações. Existe o ideal de beleza, os posts das redes sociais, o prazer imediato. O agir sem pensar que gera má decisão ou atitude errada pode trazer consequências para a vida toda. Porém a sua força é incrível! Quando um jovem está motivado parece ter a garra de um carro de corrida, de um avião a jato. Há que aproveitar essa garra e não defraudá-la.

Como garantir o futuro dos filhos?
Grande parte da infância e juventude são passadas na escola. Os principais educadores sabem que o investimento é grande e que o seu filho está a ser preparado para o futuro. Não obstante, há muito mais a fazer do que levar a criança ou adolescente à escola. Eu diria, como preparar o seu interior? Dar a primazia ao íntimo ao contrário da aparência exterior. Quantas vezes, os jovens supõem que nada valem, que não prestam, que não estão cá a fazer nada e sabemos, infelizmente, das taxas de suicídio.

Precisamos preparar as crianças na escola da vida!
Quando o jovem tem de decidir no 9º ano, que área seguir, há testes psicotécnicos que apontam tendências vocacionais, para que este possa identificar as suas aptidões e habilidades e escolher uma profissão mais adequada.
Não devem os pais conhecer bem os seus filhos? Os seus dons, as apetências naturais, o que eles gostam de fazer, o que sonham fazer, o que melhor fazem. Um pouco mais à frente, terão de escolher o curso universitário e quantos, a meio do curso, decidem que querem trocar porque não é aquela área com que mais se identificam?
Na minha opinião, na generalidade, o ensino público em Portugal continua muito teórico. Os alunos têm níveis atribuídos segundo uma escala comum e igual em todas as disciplinas. Os modelos nórdicos, na primeira infância, assentam na criatividade, no brincar ao ar livre.

Na Finlândia, é precisamente na etapa infantil onde se identificam desafios da aprendizagem, intervindo antes que as dificuldades aumentem; assim o futuro já está à vista. O estudante pode aprofundar as áreas de que mais gosta. Entendem que cada aluno é único. Para os demais, não existem alunos bons ou maus e não são permitidas comparações. A arte é valorizada, o ensino gratuito. O aluno é incentivado a pensar e debater. Assim, o foco está nos interesses do estudante e as atividades são orientadas para a prática.

Na Suíça, o ensino profissionalizante é escolhido por 60% dos alunos, 2 ou 3 dias de semana o aprendiz trabalha como estagiário numa empresa, podendo escolher entre 300 profissões reconhecidas.

No Japão, no ensino inicial, o objetivo é desenvolver o caráter e boa conduta em vez do conhecimento. Dá-se importância ao respeito pela pessoa, pela natureza e pelos animais. Os próprios alunos cuidam da limpeza do espaço escolar, aprendem a trabalhar em equipa, a ajudar-se e a honrar o trabalho. Um dado relevante é o ensino da poesia.

Olhando para a realidade portuguesa: a escola incentiva os pais a intervir na vida do filho, mas quantas reuniões de pais estão com meia dúzia deles? Não é que não se interessem, mas as exigências do trabalho e responsabilidades são muitas. Há que encontrar alternativas, por exemplo, na hora de atendimento do DT.

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Gustavo Fring

Podem os primeiros educadores ter dificuldades na preparação dos filhos para o futuro?
Ideias para a participação dos pais na escola: associação de pais, propor contação de histórias na pré-escola, realizar um trabalho em conjunto com o filho, o professor convidar o pai/mãe à escola a fim de partilhar algum tema, fazer uma roda de conversa, sugerir soluções em conjunto, palestras, fazer uma receita, encontros com especialistas, participar em atividades culturais da escola, conhecer os professores, as regras da escola, o projeto educativo, afinal ela é a segunda casa do aluno.
Algumas dicas: marque o calendário escolar do seu filho na agenda. Assinale um lembrete das reuniões de pais para não faltar, assim mostrará interesse na vida escolar do seu filho, isto é o que o DT vai entender. Tenha presente qual é o currículo do seu filho.
Convidar os pais para conhecer a escola será uma boa ideia por parte da instituição. Um professor pode fazer exposições temáticas e fazer o convite à família. Escolas podem promover gincanas de pais e filhos. A tecnologia, hoje, é uma aliada na facilitação da comunicação, algumas escolas usam as redes sociais para informar ações realizadas.
Não se ausente da vida dos seus filhos! Encontre e promova oportunidades.

Um episódio particular, estava grávida do meu 2º filho, fiz de Capuchinho Vermelho no jardim escola que a minha filha frequentava. Foi um trabalho conjunto de pais. Levei ainda a história da Sementinha. Na turma da minha filha, no primeiro ciclo, realizei uma atividade sobre os antónimos com os alunos. No jardim de infância do meu filho, no período de Natal, fiz pinturas faciais e desenvolvi um projeto com todas as salas designado, «Corações Solidários», onde as crianças mandavam mensagens nesses corações para os utentes de uma instituição de cuidados continuados e paliativos.
A escola deve proporcionar um ambiente propício a questionamentos. Aprender por experiência a gerir um projeto, o aluno fará a jornada que o irá ajudar no futuro.

Estarão as famílias preparadas para uma verdadeira parceria no supremo interesse da vida do estudante?
Voltando ao exemplo da Finlândia, os alunos são instigados a fazer perguntas e o docente não dá as respostas instantâneas, ele receberá orientação para chegar às respostas. O empreendedorismo, elementar para a jornada da aprendizagem. Experimentando, aprendendo com o erro, novos caminhos e soluções serão encontrados.
Não vivemos no mundo ideal. As famílias vêm-se inundadas de preocupações, dilemas e ao ver o filho chegar à idade adulta e sem rumo, a inquietação vem, falta o sossego interior e a paz. A pressão para o jovem é alta. Ele carece de motivação. Existe o chavão do melhor emprego e a ambição do salário mais alto. Quando tal não sucede, não há satisfação no trabalho, a autoestima cai a pique.

Por tudo isto, como incentivar desde cedo as crianças? Se não temos o cenário ideal, podemos contorná-lo e achar novos caminhos?
Incentive-se pois a criança tomar as suas próprias decisões. Costumo ensinar nas escolas, quando apresento um dos meus livros, que todos os dias tomamos pequenas decisões, isto para lhes indicar o conceito de uma vida equilibrada. E faço-lhes perguntas. Logo de manhã, decidir dizer bom dia, lavar os dentes, despachar ou não, etc.; trazer a consciência de que somos responsáveis pelas nossas atitudes e que estas advêm dos nossos pensamentos. Há que gerir esses pensamentos. Fazer boas escolhas, logo, maior chance de obter bons resultados. Costuma dizer-se como obter diferentes resultados se fazemos sempre tudo da mesma forma? Falar com a criança, dispor tempo para se sentar com ela, dialogar acerca das suas emoções, brincar com ela. À medida que a criança cresce, é bom que conviva com diferentes grupos de pessoas para aprender a viver em sociedade. Uma dica importante: dizer aos filhos em que é que eles são bons e não estar sempre a apontar: «fizeste isto mal», «não sabes fazer isso».

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Brett Sayles

Ensine com amor, faça junto.
Fazer atividades práticas de educação financeira, se é um pai e está a ler este texto, pode consultar ideias na internet. Talvez já o faça. E se todos nós que somos pais a cada dia que acordamos decidíssemos: «hoje vou dar mais atenção ao meu filho, ambiciono ser melhor pai». Não temos escola para aprender a ser pais, aprendemos uns com os outros, trocando experiências. Lemos livros e praticamos a cada dia. É a escola da vida.
Realizar atividades práticas criativas com a criança, dará um certo trabalho. Mas quando se estimula a criatividade, estamos a preparar os filhos para o futuro. As brincadeiras, os desenhos, o lúdico, a imaginação quando são exploradas, incentivam à criatividade, que mais à frente os ajudará a lidar com as adversidades.
Respeitar e apoiar os interesses dos filhos facilitará o desenvolvimento de competências e habilidades que podem funcionar como currículo camuflado.
Conversar sobre o respeito pela individualidade, a importância da inclusão, ensinar a usar a tecnologia de maneira segura e inteligente. Falar sobre a sustentabilidade do planeta e ações práticas. Abordar a cidadania, ver debates, explicar as leis, impostos, direitos e deveres. Conversar sobre profissões atuais e do futuro. Participar em projetos solidários ou criar um na sua própria cidade ou aldeia. Tudo isto, estratégias que mais tarde nos darão a certeza de que ensinámos e criámos pessoas que têm um futuro melhor.

Apesar da escola ser demasiado importante, o ensino em casa não é menos importante. Um dos aspetos de relevo é valorizar a criança. Valorizar o adolescente. Valorizar o jovem. Valorizar todo o potencial existente, ajudar as crianças a descobrir e consciencializar esse potencial. Depois, trabalhar para o desenvolver e ao chegar à juventude, temos jovens mais decididos quanto à sua área de eleição. Ajudá-los a fazer a distinção entre curso e carreira profissional. Explicar ao adolescente que na vida, nada é definitivo. Facilitar a sua autonomia, desenrolando estratégias adequadas à idade, como mesada, viajar em transportes públicos, fazer compras. Dialogar sobre objetivos de vida, medos, insegurança e sonhos. Ter jovens menos estressados com o futuro, porque já dominam, já sabem fazer. Já experienciaram, superam medos. A qualidade de vida não é um clic ou carregar num botão, não é sorte. É investimento, trabalho, sabedoria, resiliência.

Recentemente, lancei um livro que aborda de modo direto, simbólico e subliminar muitas das situações aqui apontadas. Designadamente, a importância dos pais na vida dos filhos. Porquê? Porque me preocupo com as novas gerações, com as problemáticas dos adolescentes e jovens e claro, se eu puder ajudar alguém, então todo o esforço já valeu a pena. A história do Simão alerta para a atenção que se deve dar à criança. O papel dos pais, a presença, a influência.
A criança está num processo e quanto mais cedo entendermos a sua apetência para determinada área, mas chance teremos de ter um jovem satisfeito com a vida, prevenindo comportamentos destrutivos.

O nome Simão significa ‘a escutar’. Porque devemos escutar os filhos?
https://www.andrearamos.pt/porque-precisamos-de-escutar-os-filhos/

À medida que o tempo passa, o Simão, criança resoluta, decide um plano e quando chega a reunião familiar natalícia, ele surpreende todos pela sua audácia. O meu mundo de papel, um livro que fará crianças e adultos sonhar mais alto. Lutar pelos seus sonhos e não ter medo de arriscar. «O sonho comanda a vida»? Estabelecer prioridades? Juntos construiremos decerto um futuro melhor. Através da literatura aprendemos, consciencializamos do que precisamos polir, enquanto pessoas que influenciam outras.

Relativamente ao tópico das artes no livro, vem a pretexto. Todos nós somos artistas. Geramos, criamos, pensamos, ditamos, construímos. Gostamos de música. Alguns de nós gostam de ler, outros olham mais para os números. Quanto mais nos conhecermos e aos nossos filhos, mais entenderemos como tudo isto funciona. Não percamos tempo, porque sabemos que esse, não volta atrás. Um processo leva tempo. Quanto mais prepararmos as nossas crianças para o futuro, teremos adultos que vão gerir o nosso país, participar nas empresas, criar projetos, cuidar das próximas crianças. O ciclo mantém-se.

Os nossos filhos não são iguais a nós, têm a sua identidade, os seus gostos pessoais. São uma dádiva. Com eles também aprendemos. Prepará-los para o futuro, é hoje, é a cada dia, a cada instante. Reguemos os sonhos dos nossos filhos. Não criar demasiadas expectativas, saber que eles também têm os seus dilemas. São pessoas criativas por natureza. Daremos a chance para criar, inventar, moldar, experimentar. O futuro está a ser escrito desde que a criança nasce. Temos esta consciência?

Espero que este texto lhe tenha dado boas ideias. Se não começou, comece hoje. O futuro está bem perto.

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Maria Lindsey

Como pai ou mãe, em que área sente mais dificuldade para ajudar o seu filho a preparar-se para o futuro? Por gentileza, responda nos comentários.

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