Histórias com História: Débora Bettencourt

Como é que escolheste a tua área de estudos? Porquê?
Desde que me lembro, sempre tive o desejo de fazer algo em que pudesse ajudar o outro. A bíblia fala para ajudarmos o nosso próximo. Portanto, quero muito dar do meu esforço ajudando pessoas que precisam de ajuda, crianças e adultos, na minha área de estudo, Terapia da Fala. Considero uma profissão fenomenal e estou grata a Deus por tudo o que ele me proporcionou, como ingressar nesse curso, manter-me nele e que, em breve, estarei a terminar.
Para ti, o que é algo especial?
Há tantas situações na minha vida que vejo que, realmente, não foram apenas o resultado do meu trabalho e esforço, mas sim de Deus. Sim!!! O que Deus faz na minha vida e na vida de todos os meus próximos é, certamente, aquilo que eu considero ser algo especial.
O que é a música para ti?
Desde criança que a música sempre esteve presente na minha casa, incutida pela minha mãe, principalmente. Ela foi o motivo pelo qual ter entrado no Conservatório, inicialmente, para aprender flauta transversal e, mais tarde, violino, que é o meu atual instrumento. Desde sempre que vou à igreja. É como dizem: “Nasci nos bancos da Igreja.”. Lá sempre podemos louvar, cantando hinos a Deus e a verdade é que, em todo o momento, a música está sempre presente e é, sem dúvida fundamental na minha vida, não só pelo facto de poder louvar a Deus tocando o meu instrumento (violino), mas, também, algo que gosto imenso de fazer.
Como a entendes de forma de evangelizar?
Para mim evangelizar significa mostrar ao outro que existe alguém especial, mais especial do que tudo o que existe, e que morreu por nós para nos salvar. Afirmando que ele é quem nos dá a salvação e nos ajuda a cada dia. Aprender algo muito importante! Antes de mostrar ao outro o plano de salvação, temo de conhecer bem a história de cada, compreendê-la e perceber quais as suas maiores necessidades. Só assim, serei capaz de a ajudar e mostrar Jesus Cristo como Salvador.
Que mensagem gostavas de deixar aos jovens da tua idade?
A vida aqui na terra tem tantas coisas para nos oferecer, boas e más. Mas o principal é olharmos para o alto, pois Deus é o único que pode orientar a nossa vida. Ajudando-nos nas escolhas do dia-a-dia e dando-nos força para alcançar os nossos objetivos. Para isso, temos de entregar a nossa vida a Ele, para que possa, continuamente, trabalhar nela.
Como foi a tua infância e que marca ainda trazes para hoje?
Desde sempre que a minha mãe conta que eu era uma criança muito extrovertida (até de mais). Tive a oportunidade de crescer com uma irmã quase da mesma idade (11 anos de diferença) e tanto trouxe coisas boas (brincarmos juntas, fazermos disparates juntas), como trouxe coisas menos boas (as birras uma com a outra). De tudo o que me recordo, na minha infância, graças a Deus e aos meus pais, pude ter muitas experiências, como visitar museus, viajar para outros lugares fora da ilha e até mesmo explorar a minha própria ilha, São Miguel, Açores. O que trago sempre comigo é a ideia de que eu não devo deixar de ser eu, a pessoa divertida que sempre fui, mesmo que a minha idade não corresponda às minhas brincadeiras. Para além disso, o valor da humildade e do altruísmo, sem sombra de dúvida foram os valores mais incutidos pela minha família e que ainda hoje permanecem.
Para ti o que significa reino de Deus?
Para mim Reino de Deus existe desde o momento em que aceitei Jesus na minha vida. É, certamente, o meu propósito aqui na terra e a certeza de que um dia estarei no lar celestial, em que o meu Deus é o Rei.
Onde é que a Bíblia fala de música que seja especial para ti?
A música é uma das mais variadas formas de dar louvores a Deus. Toco violino e fico muito feliz por poder louvar ao Senhor com ele. O Salmo 150:4 (“louvai-o com o tamborim e a dança, louvai-o com instrumentos de cordas e com órgãos”) diz-me muita coisa, apesar de ser tão simples. Seja com que instrumento for, de que forma for, louvem ao Senhor de todo o coração e no meu caso, louvo com a música.
«Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje» o que podes fazer hoje que amanhã pode ser tarde?
Poderia escrever muitas coisas, mas a verdade é que para mim o mais importante é estar disponível para servir a Deus. Portanto, o que posso fazer hoje e que amanhã será tarde demais é continuar a ter o meu coração aberto para que Deus possa usar-me em cada dia da minha vida.
Já tiveste algum medo e como o venceste?
Medo de errar… Esse é um dos meus pontos fracos. Errar é humano. Podemos aprender muito com as coisas boas que nos acontecem, mas errar dá-nos a oportunidade de melhorarmos cada vez mais. Sei que há muitas coisas que poderia fazer, mas por ter medo de errar, acabo por desistir. Em cada dia, Deus tem sido a minha ajuda, aquilo que me motiva a não desistir. Aqui na terra tenho os meus pais, as minhas irmãs, o meu namorado e alguns amigos bem próximos que me incentivam e me ajudam continuamente a nunca desistir de projetos, nem de situações que são importantes na minha vida, como os estágios curriculares, que são, sem dúvida, um desafio para mim. O último estágio que realizei (outubro de 2020 – janeiro de 2021) foi um grande desafio. Tive muitas dificuldades e julgava que não era capaz de cumprir com os objetivos que me eram propostos e, por isso, o que me ocorreu primeiro foi desistir. Mas com ajuda dos meus e as orações constantes foram, realmente, aquilo que me motivaram a continuar e, no fim, venci. É como dizem… “Juntos somos mais fortes!”
Para ti, o que é que a juventude pode fazer em benefício do mundo?
Trabalhar para desenvolver o altruísmo e a humildade. Por vezes, na rua vejo situações que me desagradam. Jovens a não se importarem com os outros. Essas atitudes fazem com que o amor no mundo diminua. Se cada um promover em si a humildade e o altruísmo, teremos um mundo com mais amor.
Que sonho não realizaste e porquê?
O meu sonho é ser mãe. Tudo aquilo que estou a construir agora (estudar, ter uma profissão) tem como objetivo final poder/tentar dar o melhor aos meus futuros filhos. Ainda não se realizou por vários motivos. Não sou casada, não tenho os estudos terminados, não tenho um trabalho e não tenho casa nem carro próprio.
Estás quase a estagiar, não é? qual a área e que expectativas tens?
Estou quase a iniciar estágio. Anteriormente tive a oportunidade de estar em contexto de Centro de Saúde, agora estarei em contexto escolar. Considero que será um desafio, por ser a área que menos me sinto confortável. Tenho um gosto especial e particular por adultos. Agora por estar em escola, estarei com crianças e acredito que será um desafio que será vencido com Deus, sempre.
Quem é a Débora?
A Débora é uma rapariga muito comunicativa, muito expressiva, muito emotiva e que gosta de fazer as coisas dando o seu melhor. Gosto muito de ajudar os outros, seja no que for. Gosto imenso de música e de usá-la para servir a Deus. Sou apaixonada pela minha área de estudos Terapia da Fala e tenho como objetivo ser uma boa terapeuta da fala e dar aos outros o melhor de mim.
Ser família fala-te do quê?
Família fala-me união, cumplicidade, confiança, porto seguro. Para mim, a família é sem dúvida, o melhor de mim, onde encontro sempre refúgio em que situação for, para além de Deus.
Já te arrependeste de alguma coisa?
Sim, muitas vezes. Palavras que devia ter dito e não disse, ou até mesmo que disse e não devia ter dito. Arrependo-me de, no passado, não me ter “atirado de cabeça” para alguns projetos, que se fossem desenvolvidos podiam ser bem sucedidos. O facto de não querer errar, fez-me recuar. Mas sei que Deus tem o melhor para mim e que, apesar de haver coisas de que me arrependo, Deus não desiste de mim.
Qual o teu maior sonho?
Ser mãe!!! Esse é o meu maior propósito, tudo o que faço aqui na terra é com o intuito de alcançar esse sonho. Educar os meus filhos com os ensinamentos bíblicos, para que possam ser verdadeiros filhos de Deus.
Do que não gostas?
Não gosto de mentiras. Aceito que não seja fácil dizer uma verdade dura sobre nós, mas a vida ensinou-me de que mais vale dizer a verdade e não a mentira. Mais do que tudo isso é saber que Deus não é um Deus de mentira.
Com que público gostas de trabalhar? Porquê?
A cada dia que passa, a cada pessoa que entra na minha vida, tenho constatado que tenho um gosto especial por pessoas bem mais velhas do que eu, os chamados “Avozinhos de coração”. É com eles que gosto de ter conversas longas, colocar dúvidas sobre a vida e partilhar momentos bons. Sei que posso aprender muita coisa com eles, seja em que área for. Na minha área profissional gostaria imenso de trabalhar com adultos, por sentir um carinho especial por eles.
O que queres mudar em ti?
Sou uma pessoa ansiosa e com tendência para sofrer por antecipação. A Bíblia, em I Pedro 5:7, fala sobre nós lançarmos as nossas ansiedades em Deus, pois Ele cuidará de nós. Por isso, o que quero mudar/melhorar em mim é reduzir, ainda mais, esse sentimento de ansiedade e de sofrer por antecipação e confiar cada vez mais em Deus, porque sei que com Ele conseguirei ultrapassar qualquer situação.
Numa frase, o que o mundo carece? O que tu fazes em direção à solução dessa carência?
O mundo carece de amor. Considero que o amor é a base de tudo. Sinto que estou num mundo cada vez mais frio. Mas, sabendo isso, tento ao máximo colocar amor em tudo o que faço e fazê-lo da melhor forma possível para quem quer que seja.
Entrevista realizada a DÉBORA BETTENCOURT por Andrea Ramos, 2021

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