Banco de jardim

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Não. Não resisto a contemplar-te. Singelo banco de jardim!

A incerteza do tempo fez-te belo. Significado tens e deslumbras-me a mim. Se não te visse assim algo abandonado decerto passaria de lado.

És solitário, sim. Um banco triste, desgastado. Importante para qualquer namorado.

Quem sabe… estou perante um visionário!? Quantas histórias tens para me contar? Quer contes ou não contes, os bons segredos são para guardar!

Chama as gentes da terra. Sentem-se novos e velhos, conversem as comadres e os compadres. Os velhos vão agradecer pois pernas fatigadas sempre precisam de descansar. Convida as crianças pra brincar ao berlinde e hão-de brincar até que o dia finde. Grita por companhia porque a solidão não concebe alegria. Então as melhores amigas virão. E em cada verão testemunharás o reencontro.

Nunca permitas olhares de agonia nem triste assombro. Quem não se respeitar não é digno de te olhar ou em ti se sentar.

E a cada luar, digo-te: reveste-te de força e bravura.
Agradeço-te por fim suave candura na certeza de que tua beleza na imagem perdura.


Foto: Andrea Ramos

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