
No outro dia, um líder junto a um grupo, propôs uma atividade para explicar um conceito. Todos tinham um copo meio de água. Ao nos relacionarmos acrescentamos algo a outras vidas. Como é essa água? Doce, amarga? Deitávamos água no copo um dos outros, dissemos pelo que estávamos gratos, o que a pessoa deixou em nós ou que aprendemos com ela.
Diz-se que as pessoas mais felizes são as que estão gratas. A agitação do dia permite-nos refletir? Temos gratidão?
Deveríamos agradecer por estarmos vivos? Logo de manhã, o pensamento agita-se em função das tarefas a cumprir. Fazer a cama ou não fazer? Estaremos gratos por ter uma cama? Ou uma escova de dentes?
Quantas crianças no mundo nem sabem o que é uma escova de dentes, a sua cama é uma esteira ou inexistente.
Começamos o dia a reclamar, o carro avariou, o computador estragou-se, o cabelo está rebelde e o cão começou a vomitar. São muitos exemplos! E se relativizássemos, pensando que se vive bem em Portugal?
Existe segurança, emprego, saneamento, água canalizada, sol, comida, rios e mar, eletricidade, estradas de alcatrão, recolha e tratamento do lixo, enfim. Porém, quando nos defrontamos com outras realidades, reconhecemos o que temos ao nosso dispor.
Agradecemos pelo sol? Ele nasce de graça para todos. Quando somos gratos, dizemos obrigada (o), não nos queixamos tanto. Deixamos de olhar para a galinha da vizinha. Ficamos com melhor cara. Agradecer é uma forma de honrar o outro, de o valorizar.
Lembramos situações em que demos e apenas gostaríamos de observar um sorriso, um gesto ou palavra de agradecimento. Fica um azedo na boca. A gratidão sente-se, percebe-se no olhar, reconhecemos a sinceridade.

As oportunidades de gratular estão à nossa disposição. Seja por e-mail ou presencialmente. Poderá haver pessoas a quem não dissemos obrigada (o). O que fazer? Criar uma lista e incluir os nomes. Enviar um SMS. Influenciar de forma positiva. Pedir desculpa pelo tempo que se demorou a agradecer.
Um bom hábito: escrever o diário da gratidão, expressar pelo que se está grato. Se o ensinarmos às crianças, estaremos a ajudá-las a compreender o conceito. Trazer esta consciência, talvez haja menos conflitos e brigas.
E se gerarmos intencionalmente formas de agradecer? No autocarro, à pessoa que varre a rua. Agradecimentos ‘fora da caixa’. Os pais agradecerem aos filhos e vice versa. Surpreender, fazer uma nova habilidade. Enviar flores. Demonstrar gratidão para com os colegas de trabalho gerará autoconfiança e motivação, uma forma de dizer que acredita no seu no potencial.
Agradecer não está fora de moda. A regra de ouro é proativa «faz o que gostarias que te fizessem». Repartir o que temos, ter afetividade, ser cordial, boas práticas a exercitar. A frase «Tu és importante para mim, estou grato» fará o dia de alguém iluminado.
Desde 1965 que se celebra o Dia Mundial da Gratidão.
Ter boa dose de paciência, escuta ativa, calçar os sapatos dos outros são termos bem aceites. Existe ainda a lei da semeadura.
Podemos viver mais satisfeitos? Temos o dom de fazer os outros mais felizes? haverá palavras mágicas?
Fotos: George Dolgikh e Wewe yang