Arrecadação

Arrecadação

Como é a tua arrecadação? Em que estado ela está? O que guardas assim tão importante? Ela serve de dispensa para teu mantimento? Ela está reservada às pessoas só da casa? Ela está parada no tempo? Está coberta com lençóis? Tem bichos? Tens medo de lá entrar? O que lá guardas?
Geralmente preservamos coisas das quais não queremos desfazer-nos, coisas que gostamos muito e desejamos mais tarde recordar ou mostrar à nossa descendência.
Pois é, mas é outro sentido que hoje quero abordar essa tua arrecadação. Uma arrecadação espiritual.
A tua arrecadação das memórias vividas num local único, um lugar de Deus. Não falo de um edifício mas sim de um espaço, um território. Mais precisamente na Rua dos Pescadores, ao lado do Monte Horeb, Nadadouro.
O Monte Horeb… para quem conhece a Bíblia foi onde Deus deu a Lei a Moisés. Quando me lembro de que Jesus disse aos discípulos «Eu vos farei pescadores de homens», não consigo descolar a ideia de que aquele território tem muito de Deus. Tem o palpitar do Seu coração. E o Seu coração são as pessoas. Talvez por isso tantas vidas ali foram marcadas para sempre…
Onde guardas essas memórias vividas com o Deus supremo, o Deus único naquele espaço? Estão guardadas na caixa das emoções? Estão fechadas a sete chaves? Sim, refiro-me ao CB, para quem não sabe isto designa Campo Bíblico.
As lembranças desse passado precisam agora de ser destapadas. Essa arrecadação precisa de luz. Mesmo que tenhas que tirar as teias de aranha, limpar o pó.
Foi há muitos anos que alguém teve visão para um propósito. Um propósito de fazer acampamentos com jovens que pudessem retirar-se para estar com Deus e os seus pares.
E foi nesse espaço que a minha história pessoal também está implicada. E tanto havia para contar…
Quem se lembra do culto de fogueira, da expressão do poder de Deus?
Quem se lembra de chorar lágrimas de regozijo?
Quem se lembra de conhecer jovens oriundos de lés-a-lés de Portugal?
Quem se lembra de lavar roupa no tanque?
E claro, também eu fui caloira. Mas já cansada de dar papas na boca e de olhos vendados, preferi despejar o prato na cabeça da moça e logo de seguida recebi o mesmo.
Eram tempos diferentes sim, mas com a vontade de querer conhecer mais Deus. Estarei a destapar sozinha a minha arrecadação ou há muitas mais por aí?
Ali, erguíamos a voz. A voz dos jovens Portugueses. E também de alguns manos do estrangeiro…
De manhã, lá se cantava «Minha Pátria para Cristo», hasteando a bandeira da nossa nação. A bandeira Portuguesa, a nação que eu gostava de ver salva para Deus.
Estaremos a hastear a bandeira da fé? Da esperança?
E por isso quero olhar para o futuro deste país. Quero pensar na juventude. Não vou ficar para sempre na minha arrecadação, estagnada, mas hoje tive de lá voltar.
Eu gostava de voltar a hastear a bandeira de Portugal lá e cantar ‘Minha Pátria para Cristo’.
Quero ver jovens determinados a ambicionar aprender mais de Deus, a perceber o Seu coração, a Sua vontade.
Aquele lugar acredito, continua para o mesmo propósito. Serei eu a única a dar este passo de fé? Pois a fé é isso mesmo, acreditar sem nada ver.
Nada vejo, na verdade.
Também não vejo as vossas arrecadações.
Não sei o que guardam acerca deste lugar.
Que histórias faltam contar?
Conta-me o que tens guardado aí na tua arrecadação.
(Fica o desafio!)

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