A Mania da Imposição

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Quando gostamos de alguma coisa, queremos impor aos outros?
Não valerá a pena propor? Sem persuasão?
Somos levados a ver séries, anúncios, notícias, vídeos, publicações, enfim. A escolha será sempre nossa, ver ou não ver, comprar ou não comprar.
Há algo que temos em nossa mão, é uma capacidade, trata-se do poder da escolha. Podemos sempre escolher a pasta de dentes, o que comer, o que dizer, o que fazer.
Há coisas que não escolhemos. Não escolhemos pai ou mãe. Não escolhemos doenças ou acidentes que chegam sem, primeiro, bater à porta.
Podemos escolher em que pensar. Repare-se:
«Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.» Filipenses 4:8
Tanto melhor procederíamos se pensássemos antes de agir ou de dizer alguma palavra inapropriada à ocasião.
Então cá vai, se me quiserem mentir, terei de estar atenta, informada; será melhor eu pensar na verdade, buscá-la e ambicionar conhecê-la.
O que é ser honesto? Desenvolver a prática da honestidade. Tem a ver com virtude. Queremos ser pessoas virtuosas? Pensamos nisto? Temo-la como objetivo?
E ser justo, pensar na justiça? Retidão? Sensatez? Ser adequado… hummm.
Deverei pensar no que é puro… genuíno, verdadeiro, fiel, sincero, correto. E não sou eu que descrevo, é o dicionário.
Cogitar acerca do que é amável. Talvez este conceito esteja mais assimilado entre nós. Amamos dar a mão, receber abraços, prendas, viajar, comer, dormir e tantas outras coisas.
Momentos há em que amar ou apenas pensar em amar, é difícil. Muito difícil. Mesmo. Estarei enganada? O nosso ego tem muito a dizer sobre isto.
Amar é partilha e não egoísmo, é servir sem ambicionar algo em troca, amar é pensar e agir para o bem.
Quanto penso apenas em mim, acho que não estou a amar. Embora não me remeta nesta hora para questões de autoestima ou valorização pessoal. (Se não gostarmos de nós, quem gostará? E sim, há muitas cenas que não gostamos em nós. O que fazer? Começar a trabalhar para a mudança. Se eu não gostar de mim porque bebo pouca água, então há que beber. E se eu não gostar de algo com que nasci? Apender a viver com isso?)
Ser de boa fama. Pensar no que é de boa fama. Pensar nas coisas que têm boa reputação.
Pois é, cuidar dos nossos pensamentos, é isso. Talvez façamos melhores escolhas para nós e para quem nos rodeia. Sobretudo, avaliar. Por vezes, pensamos que a culpa é sempre alheia. E se avaliarmos bem, perceberemos que nem tudo daí advém?
Quantos pais impõem aos filhos a vontade deles mesmos e não dos filhos? Não falo de prevenção. Falo sim de pais que sonham que os filhos sejam engenheiros, doutores e os filhos, afinal, querem ser atores, jogadores de futebol. Valeria a pena conhecer as áreas fortes dos nossos filhos, ajudá-los a investir, apoiá-los, conscientizá-los das responsabilidades e das consequências possíveis das suas decisões.
Quantos conjugues impõem a sua vontade para proveito próprio sem pensar no que o outro está a sentir?
E no supermercado, os topos que são feitos para nos induzirem à compra?
E quando temos a mania de ter sempre razão e levantamos a voz?
E quando a inveja cresce só porque queremos ser igual aos outros? Ter o que os outros têm? Mas não somos todos diferentes? Iguais em dignidade (Sempre!). Julgo que tão mais felizes seríamos se ambicionássemos ser nós mesmos com os defeitos, trabalhar neles, com virtudes e multiplicá-las. Neste caso, querer ser como o outro, será alguma forma de imposição a nós mesmos? Queremos descaracterizar a nossa identidade? Não estou a referir-me a desejar ser melhor pessoa, imitar o bem. Sim, há pessoas que admiro, pela sua ousadia, genialidade, pela capacidade de trabalho, pela sinceridade, por ser bom amigo, por ser íntegro, etc.
O que estou a impor a mim mesmo?
Proponho-me ter melhores pensamentos? Fazer melhores escolhas? Pensar no bem comum? Ter a plena consciência dos meus atos e em como eles se refletem para outros?
E sim, deverei pedir desculpas em todos os momentos que quiser impor a minha vontade em detrimento da vontade do outro, não tomando em conta essa pessoa. E saber perdoar (no caso, ainda tenho muito a aprender!).
Assim, verifiquemos o que nos querem impor a cada instante. É bom para ambas as partes? Avaliando se é para o nosso bem ou não, acredito que melhores escolhas poderemos fazer.
Conscientes, seremos melhores pensadores. Melhores pensadores seremos se estivermos bem informados e não olharmos apenas a tudo o que nos querem impor.
Devemos ler, escutar opiniões várias. Mas a leitura, em Portugal caiu, infelizmente. Dá trabalho ler. E tudo o que dá trabalho, não queremos. É por isso que deixamos que nos imponham. Dá trabalho pensar.
As redes inundam-nos de informação ao retalho. No entanto, somos um povo consumista do imediato. Consumista do prazer.
E se fossemos consumidores de bons pensamentos a curto, médio e longo prazo? Pensando nos valores, na marca que queremos deixar neste mundo. Pensando nos que estão perto e nos que estão longe. Pensando no agora e no depois.
E, isto não é uma imposição! É uma proposta de leitura, uma partilha de pensamentos matinais.

2022

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