Qual é o teu maior medo?

pexels photoRene Asmussen


Eu tenho alguns. Nem posso pensar em me aproximar de cobras ou ratos. Certa vez, estava num parque natural na Costa Rica (floresta tropical) com a minha família e, de repente, percebe-se uma agitação, escuta-se um burburinho irritante, acercam-se trabalhadores vestidos de macacão verde e avisam-nos de que temos de caminhar em frente, muito vigilantes, pois uma cobra venenosa foi avistada ali. Alternativas? Entrar em pânico? Respirei fundo, tentei gerir o meu pensamento e em vez de gritar, fiquei calada, mas com muito medo. Tentei manter o controle, embora estivesse em estado de alerta elevado, os meus músculos tensos, a minha cabeça semelhante a um radar com vontade de explodir. Em pensamento, eu pedia continuamente a Deus que me ajudasse. Seguimos o trilho indicado. E enfim, chegámos ao final daquele trajeto e o alívio foi imenso.
Há, porém, situações em que gelamos, paralisamos e temos motivos para isso. O medo começou lá no início. Na verdade, há mesmo 22 tipos de cobras venenosas nesse país, descobri, entretanto.
O livro de Salmos é excelente para nos conectarmos com os sentimentos descritos. «O meu coração está acelerado; os pavores da morte me assaltam. Temor e tremor me dominam; o medo tomou conta de mim.» Salmos 55:4-5 (oração dum perseguido, hino da coleção de David). É isso, o medo toma conta de nós e passa a ser o nosso guia. Permitimos que ele gere em nós ansiedade em vez de tomarmos o controle dos nossos pensamentos. Efetivamente, somos humanos. O medo começou no jardim do Éden. Depois da desobediência dos primeiros seres humanos, a Bíblia conta-nos que Adão teve medo. Ora veja-se se não é parecido com as crianças quando fazem alguma maldade e se escondem por medo das consequências, pois têm consciência de que fizeram algo de errado.
«Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me.» Gênesis 3:10. Pois é, viu que estava nu, desprotegido, antes estava em paz, descansado da vida. tudo se alterou a partir dali.
Uma boa dose do medo protege-nos. Medo de nos aproximarmos de um penhasco, por exemplo, faz com que não nos acerquemos. Quantas noticias chegam até nós sobre alguém que escorregou e caiu?
Então, como gerir os nossos pensamentos para melhor controlar os nossos sentimentos e alterar os nossos comportamentos? Diria que temos um automatismo. Quanto melhor trabalharmos os nossos pensamentos, melhor nos sentiremos e atuaremos de modo diferente e mais conscientemente.
Estar na dependência de Deus é um ato de fé, vamos em direção a nada visível, palpável, mas confiando que Ele vai ajudar-nos a gerir a situação. «Mas eu, quando estiver com medo, confiarei em ti.» Salmos 56:3. Valerá a pena repetir esta frase vezes sem conta na nossa cabeça?
E ainda assim, continuarei com medo de cobras e ratos; um rato roeu-me a mão e isto não é invenção. Aconteceu quando eu era pequena e estava a dormir. Um rato tinha entrado no quarto.
Diante situações de stress que nos deixam a tremer mais vale pedir a Deus ajuda, respirar fundo, gerir o pensamento para continuar em frente e não nos deixarmos vencer pelo medo que só nos vai aprisionar.
E o que aconteceu a seguir ao medo de Adão e Eva? Deus fez-lhes perguntas. E a serpente respondeu, ao ser acusada. Como tal, aqui está a explicação para o meu medo de cobras:
«Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.» Gênesis 3:14,15
Se negamos a Bíblia, talvez não encontremos explicações para muitas coisas que nos sucedem. Ela, escrita por homens, inspirada por Deus, o Criador. Um manual de sobrevivência, de vivência, de sabedoria e que nos ajuda a entender a origem dos nossos medos e nos sugere o trilho mais seguro por onde andar.
PS. A estes medos dá o nome de ofidiofobia ou ofiofobia (serpentes) e musofobia (ratos) e herpetofobia, o medo de répteis.
Foto: Rene Asmussen – Texto publicado na página Portugal em Oração

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