Poema Vida

pexels photo 946290Darcy Lawrey

Vida que és Vida
És sopro divino
És inspiração celeste
Vida concedida
Não encerras perdida
Quando Deus comparece

Chama acesa é a Vida
Emerge da verdade
Vida que é vivida
Sem protecção, sem guarida
Perpassa ansiedade

Vida
Desperta realidade
Vive
E sê assumida

Oh Vida
[que trazes
Tanta alegria, tanta dor
Da paixão ao amor
[comprazes
Do sonho, da memória
(Pura idealidade)
Que fazes da história
Genuína veracidade
Vida badalada
[autêntica
Trilho incerto, jornada
Para muitos
[idêntica

Vida cristalina
[paciente
Labuta resignada
Fantasia
[perdidamente
Uns com tanto, outros com nada
E vives assim, conformada?

Vida que és Vida
Suprema angústia
[felicidade
Elevas sentimentos
[oh Vida
Consentes o bem e a maldade
Força ou ilusão destemida
Permaneces eterna
[na saudade

Vida
[emanação
Árvore que cresce
Renovo que floresce
Admirável perfeição
Vem desabrochar
Vida deslumbrante
[bonita
Um sorriso, um olhar
Nos Homens multiplica
Outrora
[doravante
Esse espírito que vivifica

Vida, tu és
[Vida
Tão doce, tão sofrida
Plena existência
Rasto passado
[influência
Hoje bem patente
Moras na casa
[ao lado
Apelo emergente
Vida, tu és
[presente ofertado

Vida, tu que és Vida
Ausente, presente
[arrebatadora
Vida que és sofrida
No final ou na partida
Queres, lutas, desistes
Interrompes, subsistes
Impeles vencedora
Pesar a ti pertence
[Vida
Nostalgia que persiste
Ora és contente, ora triste

Vida que és Vida
Deleitas-te na essência
Neste mundo que assiste
Ao terror, maledicência

Vida, tu és a Vida
Dos porquês, dos anseios
Dos corações, dos devaneios
Tão curta
[para tanta lida
És tu Vida, Vida

(No fulgor, na esperança
Na doçura, no alento
Na fé, na confiança
No terror, no tormento)

Tu, Vida guerreias
Invocas, errante
Visão cega, brilhante
Colhes, recolhes e semeias

Embalas ritmos mansos
És valente, destemida
És Vida
Repleta de balanços
De recuos e avanços

Vadia, quente, voraz
És Vida que satisfaz
És Vida desta maneira:
Cruel, fria, distante
Por vezes, prazenteira
Radiosa e amante

Vida sentida
[alada
Tu és movimento
Salsa, rumba, samba
[bailada
Não vivas do momento
Nesta corda que é bamba

És grito permanente
Chama viva
[exposta
Postal enamorado
[eloquente
Visível proposta

Viçoso vale, recatado
Suor desfeito, sério
Desígnio arrojado
És tu Vida
[bruma, mistério

Vida, Vida – razão
Como a pena delicada
Sofredora descrição
Palavra aniquilada
[tu não!
És vontade, intenção

Emanas o aroma
[resoluta
Oh elixir da mansidão
As teias que teces
[grande luta
Aniquilam o coração

Honra é tua pertença
[dominadora
Arquitecta elementar
Firme sentença
[lutadora
Deixa teu rio transbordar
Ergue possante
[sedutora
Derrama o abraçar
Vida feita, esquema
– Energia marcante –
Denso poema
[tocante
Delicado teorema
És espelho, és semblante

Minha alma
[figura
Tão perto, tão distante
Vida que procura
Sensatez ou loucura
Ser que anela
[importante

Vida, minha, detentora
Formosa, vencedora
Utopia provocadora
Desejo carnal
[sonhadora

Minha Vida, qual hino
Estrada, túnel, muro
És sonho vespertino
Barco ancorado
[seguro
És triste som de violino
Na incerteza do futuro
Na angústia do destino
Quem sou ou quem era
Não és ilusão ou quimera
És Vida inteira e despida
Meu refúgio e guarida
Assim eu quisera
Que fosses
[oh Vida

Vida que és vivida
Passageira e querida
Jovial e sentida
Não voltaste, oh bonina
Vida minha, minha Vida

Vida hoje
[Impaciente
Agitada, apressada
Vive o presente
Oh Vida
[desesperada
Tu que és fugaz
Não olhes para trás
Acorda incitada

Qual missiva fechada
És Vida veemente
Não findes cerrada
Brota ardentemente

O afecto desdobra
Vem dormir no meu peito
Não te ausentes
[fica de sobra
Minha ternura, amor-perfeito

Vida concede, ama
[perdoa
Larga o dano
Não cobices o engano
Não vivas à toa

Vida que és ousada
Defende o amor
Não vivas por nada
Demanda a resposta
A tudo estás exposta
Tens todo o valor

Vida para ser vivida
Abarca sensações
Encerra
[destemida
Amplia emoções
Desfaz confusões
Minha Vida, minha Vida

Vida bela
[poderosa
Sorriso amargo na incerteza
Cativas o feio, amas a beleza
Vives sim
[luminosa

Oh Vida, mar imenso
Tu que encetas
[em verso
Eu sei, não digas
A ti eu defendo
Deténs as palavras
[do Universo

Hoje me pertences aqui, agora
És Vida…és minha
Por dentro ou por fora
Vive, caminha

Fôlego da perfeição
Que concertas e tramas
Olhas em frente ou em vão
Vida…assim te chamas
Eu sou tua
Porque não?

2008. Foto: Darcy Lawrey

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