O dia a seguir

foto de katrin bolovtsova
Foto de Katrin Bolovtsova

Vejo o sol nascer e tenho vontade de renascer. Vejo a família a crescer como a nata do leite a ferver. Vejo os livros na estante com vontade de os ler. O meu dia seguinte, porque não repensá-lo? Antecipar, refletir antes de agir e sem qualquer ansiedade?

O dia seguinte foi um programa da SIC de 17 anos de emissões, é um telefilme norte-americano de 1983 que aborda o desencadeamento da guerra nuclear entre os americanos e os soviéticos e é também um romance/drama sul Coreano.

O tempo esvai-se como areia na mão. As tarefas a realizar, planificar, planificar. O dia seguinte será um novo dia. Tendemos a adiar/procrastinar porém, o ditado diz-nos «não deixes para amanhã o que podes fazer hoje».

Visitar a amiga doente no dia subsequente, tendo sido tarde demais? Vieram os sentimentos de culpa pipocar na mente, armazenando a frustração.

‘Amanhã deixo de me drogar’ 16,5 TONELADAS apreendidas 2.008 apreensões (relatório anual do combate ao tráfico de estupefacientes em Portugal, 2022);

‘Amanhã faço dieta’ reitera a canção de Herman José, a preguiça de fazer exercício vêm lembrar-nos que em 86% das vezes nada fazemos.

Os pais imersos em deveres dizem ao filho ‘depois fazemos isso’ e chegam a um dia e percebem que não brincaram com os filhos, tendo estes crescido à pressa e agora adolescentes, já não querem estar com eles.

A pílula do dia seguinte para a gravidez indesejada, quando não se previnem situações nem se medem as consequências.

Conhecendo os benefícios da leitura, porque não reservamos espaço na agenda para começar a ler? 58,1% dos portugueses em 2022 não leram um único livro (dados INE).

Não chega a vontade. Os 239.744 brasileiros que vivem em Portugal, têm para nos ensinar ‘na hora’, um termo que define bem que o que é para fazer é para ser feito e pronto.

Queremos tornarmo-nos melhores pessoas e deixamos que o nosso próximo seja um verdadeiro desconhecido. Damos a chance para que o outro ajude.

‘Amanhã eu faço’ não deixa de ser uma rasteira, pois o amanhã não nos pertence. As nuvens podem esconder o sol.

Há o dia seguinte à morte de um ente querido, o dia da ressaca, o dia posterior ao ganho da lotaria; o dia a seguir a perder a casa porque não se conseguiu pagar o empréstimo ou a renda, o dia da lua de mel; o dia a seguir ao parto ou a um acidente; o dia a seguir a um atentado terrorista, à fraude que detectámos, o dia a seguir às eleições (que teremos em breve).

E há dias seguintes que parecem intermináveis, o dia a seguir à guerra, a vontade da paz e de a ver acontecer em direto no noticiário.

Os maus hábitos roubam-nos tempo, dinheiro, saúde e felicidade. Em 2023, os portugueses passaram quase duas horas, em média nas redes sociais e as novas gerações quase três (estudo marktest). Os bons hábitos conduzem-nos ao sucesso.

Queixamo-nos de tudo. O nosso dia seguinte será intencional ou repleto de inércia? As distrações são muitas e a vida é repleta de imprevisibilidade. Quebrar ciclos e antecipar cenários são chavões. As opções são muitas, porque não criamos planos realistas de forma consistente, tendo por base de que não somos perfeitos?

Acordar e ser grato pela vida, ambicioná-la equilibrada, descobrir prioridades, gerenciar as nossas expectativas em relação aos outros e não ter receio de nos avaliarmos. Ser proativo e perceber o que nos deixa em estado vegetativo.

O nosso dia seguinte pode ser melhor se tomarmos decisões mais eficientes, saberemos pois onde gastar o tempo e o dinheiro.

E resoluta, escrevo na agenda a minha frase motivacional ‘hoje serei uma nova pessoa’.

Assinatura-Andrea-Ramos

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução por quaisquer meios, salvo em breves citações com indicação da fonte, sem prévia autorização da Autora.

Partilhe:

2 opiniões sobre “O dia a seguir”

  1. Muito bom querida Andrea. Cada vez mais intencional nas decisões para passar tempo com a família! Seja a família nuclear, de sangue ou de Deus! O tempo passa a correr! Mas cada minuto é diferente do outro, quanto mais o dia seguinte! obrigada pela partilha!

    1. Andrea Ramos

      Muito obrigada, querida Sónia. Um alerta para remirmos bem o tempo e deixar futilidades…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos Relacionados

O brasão da autoestima

Não vimemos na idade média, nem somos guerreiros de atos heroicos. Apesar disso, brasões são ainda usados como tradição, um símbolo familiar. No reino da mente humana existe o brasão da autoestima, um espelho que

Leia mais »

Verão à rasca

O verão assusta e não é de agora. Era uma miúda e todos os verões, o mesmo: fagulhas cinzentas que imitavam neve, sirenes, trevas de dia, o ar irrespirável, gente a levar leite aos bombeiros,

Leia mais »
Scroll to Top